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Dr. M. R. Rajagopal participa do LIDERA-CP Brasil

há 1 dia
3 min de leitura

O encontro explorou aspectos de liderança enquanto prática que pode ser desenvolvida e exercida a partir de diferentes posições no sistema de saúde.



A partir da experiência do Dr. M. R. Rajagopal, na Índia, o  quarto encontro do Programa LIDERA-CP Brasil refletiu como os líderes produzem mudanças, mobilizam pessoas e enfrentam desafios ao longo de construções coletivas.


Rajagopal é médico, professor e presidente e fundador da Pallium Índia, é uma das principais referências mundiais em cuidados paliativos. Durante o encontro, Raj compartilhou reflexões a partir de sua trajetória, norteadas por uma pergunta chave: como mudanças podem ser iniciadas e sustentadas, mesmo diante de sistemas resistentes à transformação?


O médico abordou a importância de ter clareza sobre a mudança que queremos produzir, agindo, segundo ele, de acordo com os próprios valores, ao envolver pessoas e comunidades, lidar com diferentes reações à mudança e olhar para o aprendizado ao longo do caminho.


“Para nós, embora não seja oficial, cuidados paliativos são a mitigação do sofrimento grave relacionado à saúde e a melhoria da qualidade de vida, para que ela [pessoa] viva desenvolvendo todo o seu potencial. Talvez não possamos fazer isso por todos, mas fazemos disso o nosso objetivo e, com isso, prosseguimos”, compartilha Rajagopal.


A Organização Mundial da Saúde (OMS) definiu, em 2014, que a integração dos cuidados paliativos nos sistemas de saúde é uma responsabilidade ética essencial para alcançar a cobertura universal de saúde. Em 2018, lançou publicações com o objetivo de fornecer orientação prática sobre a integração dos cuidados paliativos nos sistemas de saúde. Os guias visam ajudar qualquer profissional envolvido no planejamento, implementação e gerenciamento de atendimento de cuidados paliativos (veja aqui, em inglês).


“Temos que reconhecer que hoje o sistema de saúde global, não oferece, de fato, cuidados de saúde”, aponta Rajagopal ao sinalizar que a Organização Mundial da Saúde define saúde como bem-estar físico, social e mental. E não meramente a ausência de doença ou enfermidade. “É isso que os sistemas de saúde estão fazendo? Será que eles realmente se importam com o bem-estar social e mental das pessoas?”, indaga.


Na sequência completa: “Eles se concentram principalmente nas doenças e nem sequer no sofrimento. O objetivo da assistência à saúde deve incluir o alívio do sofrimento. E o sofrimento está presente em todos estes quatro quadrantes que Cicely Saunders nos ensinou: social, físico, espiritual e emocional.” 


Cicely Saunders foi médica, enfermeira, assistente social e escritora. É reconhecida como fundadora do conceito e dos primeiros hospices na Inglaterra, ao criar espaços de cuidado para pessoas com situação clínica complexa e de sofrimento decorrentes de doença severa e/ou avançada, incurável e progressiva.


“Cicely Saunders encontrou uma enorme quantidade de sofrimento e abriu caminho para superá-lo, para tratar pacientes oncológicos, ou com doenças terminais. Por que, depois de mais de 60 anos, desde que Cicely Saunders fundou o St. Christopher's Hospice, hoje em dia, quase todos os países em desenvolvimento, no sul global, por exemplo, 85% da população mundial ainda não tem acesso aos cuidados paliativos? Eles nem sequer têm acesso ao alívio da dor básica. Precisamos trilhar novos caminhos”, afirma Rajagopal.


O médico afirma que o sistema de saúde não consegue promover mudanças de maneira isolada: “O acesso à saúde por todos só pode ser atingido com a parceria de toda a comunidade, dando à ela, inclusive, algum controle. Precisamos ter uma base de engajamento comunitário”.


Ao mencionar a Declaração de Astana, da OMS (2018) (veja, em inglês), Rajagopal completa: “No sul global temos recursos limitados e precisamos integrar ainda mais a comunidade. Precisamos alcançar estas pessoas em sofrimento onde elas estão, porque os mais necessitados nunca chegam ao hospital”.


Dr. M. R. Rajagopal


Dr. M. R. Rajagopal, conhecido como o “Pai dos Cuidados Paliativos na Índia”, é uma das principais referências mundiais no desenvolvimento e na defesa dos cuidados paliativos. Ao longo de décadas, tem contribuído para transformar os cuidados paliativos na Índia, articulando assistência, formação, mobilização comunitária, advocacy e mudanças nas políticas de saúde.


É presidente fundador da Pallium Índia, uma organização não governamental de cuidados paliativos formada em 2003 e sediada em Kerala, Índia. Também foi o principal idealizador da criação do Programa Nacional de Cuidados Paliativos (NPPC) pelo Ministério da Saúde do Governo da Índia.


Seu trabalho teve papel importante na ampliação do acesso ao alívio da dor e aos cuidados paliativos e na construção de um movimento que conecta profissionais de saúde, comunidades, organizações e formuladores de políticas. Sua trajetória constitui um exemplo de como liderança, perseverança e mobilização coletiva podem contribuir para mudanças em sistemas de saúde.


Em 2018, recebeu o Padma Shri, uma das mais importantes condecorações civis da Índia, e foi indicado ao Prêmio Nobel da Paz.


Para quem quiser conhecer mais, acesse o documentário que acompanha o trabalho de Rajagopal na Índia (disponível na Prime Vídeo). Site oficial do filme: https://hippocraticfilm.com/ 


 
 

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